segunda-feira, 25 de julho de 2011

Verdades sobre a minha não vontade de ficar

            Eu sou capaz de dar um elefante para ter alguma coisa que parece me fazer bem, mas dou uma savana completa para desistir da mesma coisa se essa passar a não me dar os frutos bons que prometia.
            Foi assim nos dois últimos empregos que tive. Não achava que o dinheiro valia o sacrifício de um trabalho exaustivo, que não reconhecia muito bem os meus esforços. Quis muito entrar, quis mais ainda sair.
            Foi assim com a estante tabaco que eu comprei para a sala. Fica aqui o conselho mais sábio que eu poderia dar a alguém. Se você acha que móvel branco denuncia toda e qualquer sujeira, é porque ainda não passou um pano num móvel tabaco que, além de denunciar a sujeira, denuncia a limpeza, recolhendo o maior número de plumas possível. Quis muito ter os móveis da sala em tom escuro, quis mais ainda me livrar deles.
            Foi assim com os namoros que tive. Não achava que a companhia valia o sacrifício de um relacionamento exaustivo. Na verdade eu não suporto a insegurança, a dúvida. Não admito ser enganada. Não admito não conseguir confiar em quem me acompanha. Fica aqui o conselho mais sábio que já recebi. Antes só do que mais ou menos acompanhada. Quis me envolver, quis mais ainda sumir do mapa. E perdão não era o meu forte.
           Mas sinto que essa alma desapegada era mais presente antigamente. Hoje eu preciso da constância dos fatos, embora seja ainda tão inconstante o meu modo de sentir a vida. Tenho acordado às 5 da manhã para trabalhar com um bom humor que eu não tinha quando acordava em casa às 10 em plena terça-feira. Tou mais disposta a gastar 20 reais numa lata de tinta marfim para reciclar a estante do que me desfazer dela para comprar outra. E em questão de relacionamentos, tou me sentindo uma fonte-madre-teresa em matéria de perdão, tudo para o bem maior da minha nação de amizades, familiares e amores. Até o meu amor pela Astrid (minha cachorrinha infernal) tem se mantido pela lei do perdão.
           Verdade, tou mais tolerante, tou mais paciente, tou mais cega e muda. Mas isso não é garantia absoluta da constância dos fatos. Afinal, eu sou capaz de dar um elefante para ter alguma coisa que parece me fazer bem, mas dou uma savana completa para desistir da mesma coisa se essa passar a não me dar os frutos bons que promete.
           Fica aqui o desabafo mais desentalado dos meus últimos tempos.